terça-feira, 4 de março de 2014

A Desigualdade e Sua Contrária I



Tem se passado algum tempo, em que me deparei com as seguintes questões: todos nós somos iguais? Somos diferentes? Somos únicos ou Temos algo de igual e algo de diferente ao mesmo tempo?
            Sim. Esta é uma resposta a uma das perguntas: se temos algo de igual e algo de diferente ao mesmo tempo. De alguma forma, nós seres humanos somos contrários a nós mesmos (ou pelo menos grande parte sei que é). Explico:
            Que cada um tem suas diferenças é bem verdade, pois gostamos de coisas diferentes, pensamos de forma desigual, expressamos nossos amores de forma díspar e por que não única.
            Daí, pode alguém se perguntar: quem sou eu, respondendo-se ou pelo menos buscando responder-se mesmo de forma inconclusiva com base em suas diferenças. “Eu sou padeiro” pode o padeiro responder se ele disser baseando-se no que pensa que o define pessoa: é o que o diferencia. Claro, se ele confundir o que é com o que se faz.
            Muitos vêem a questão “quem sou eu?” como se a pergunta fosse “quem sou para a sociedade?”. O individuo pode fazer uma confusão. Quem eu sou para mim? Quem eu sou para vós? Que eu sou na realidade?
Perguntas confundidas por pessoas de todos os lugares.
Levanto outra questão: todos responderão a estas questões sobre você da mesma forma que responderão sobre elas? “Que eu sou pra mim” e “Que você é pra você” terão as mesmas respostas?
Demonstrarei como me parece tão utópica a igualdade (atualmente pelo menos), tão ideal. Uma quimera enfim. Não digo que é impossível alcançar igualdade em seres humanos, pois seres humanos se superam, se melhoram, são imprevisíveis às vezes. E claro! Também devo ter a humildade de saber que sou falho. Tudo aqui é opinião.
A igualdade é ideal. Uma ilusão para as políticas, culturas e sociedades atuais.
Se um homem tem dois carros, percebe-se que já é diferente no “ter” com relação a quem anda de bicicleta. Esta “igualdade de ter” não parece possível, pois queremos naturalmente poupar e adquirir bens ao nosso gosto, pois somos diferentes na nossa vontade e isso é natural e essencial.
Há uma questão que me aflige. Toca-me a cada vez que penso neste assunto:
Como pode haver essência humana, se somos contraditórios em nós mesmos?
Penso não conforme Aristóteles, mas conforme as idéias platônicas: ao que parece a essência humana é algo que vai alem do físico, do tangível, pois inclusive toda essência é assim.

A meu ver essa essência platônica é o que dá a capacidade que a mente tem de simbolizar por distinção. Algo no ser humano o distingue que o faz poder nomeá-lo (nome é símbolo) e isso é a essência. Há algo de igual, mas também há algo de diferente em cada ser humano. Se fossemos iguais veríamos as essências imutáveis, pois a essência nos iguala.