segunda-feira, 5 de maio de 2014

O Certo, o Errado e a Culpa

                Reparo nas pessoas que aparentemente não conseguem examinarem-se e me parece que não comportam em suas cabeças algum conselho ou algum comentário sobre seu proceder.
Todo homem “comum” tem dentro de si um sentimento que é sentido quando comete algo que sua consciência reprova.
Note que um animal não mata por prazer, eu acredito, mas, se o leão não estiver com fome, não irá à cassa. Não vivo com leões, mas suponho que assim seja.
Acredito (sim, tenho fé nisso, mas não sei dizer se é verdade, leitor) que alguns animais sintam culpa.
Mas como o leão cassa sentindo culpa? Não pararia? Acredito que tenha uma desculpa para não sentir: a fome. Sem fome ele não cassa. Mas também não suponho que o leão tenha noção do errado, mas será que não havendo em seu imo a noção de errado... Também não teria a noção de certo?
Existe uma coisa estranha no senso comum!
A coisa parece provar a sua inversa!
Mas a tese prova a antítese?
Lembro dos que se ofendem quando digo que não existe diabo. Dizem:
- Então você não acredita em Deus, Ewerton!
Como se no dia que alguém provasse a existência de um Criador Universal, fosse provada também a do Destruidor Universal.
A mais simples lógica parece fugir de alguns.
Então o leão ou o ignorante pode ter noção de certo sem ter noção do errado? Uso o leão apenas como exemplo.
O certo pode ser apenas o errado embelezado. O falso também pode ser o verdadeiro numa forma que uns considerarão sem beleza. Verdadeiro e falso são inversas, mas certo e errado podem ser ilusões e também falsa moral. Alguns certos têm certas ilusões.
                Mas e o leão? Por incrível que pareça é mais fácil falar de homens. O desconhecido confunde (não digo desconhecido da ciência, mas de mim mesmo e por isso usei o verbo acreditar, pois acredito em uma racionalidade animal, mesmo que em nível inferior ao seu, leitor).
                Mas, o certo e errado são valores! Valores desprezados com o tempo, e adulterados com o passar dos anos. Alguns são mantidos e outros modificados pelo falso, o verdadeiro, o lógico, o emocional e pela fé.
                Estas mudanças de certo e errado são também individuais, pois como havia dito em outros textos: há em cada um uma moral individual. O individuo que presencia isto pode se confundir facilmente em opiniões alheias. O individuo, acredito novamente eu, deveria ter uma opinião própria, mas copiamos tanto que eu nem sei se realmente dá para se livrar da “cultura”.
                Sim! Copiamos o certo e o errado, somos plagiadores em nossos valores, e isso é normal, mas às vezes inconsciente enquanto alguém não te disser que nem tudo que é certo é em toda a ocasião que poderia ser.

                E aqueles que não levam conselhos, ou dizem que “ se conselho fosse bom se vendia”, nada mais são que pessoas inflexíveis diante da culpa, ou que sentem meso de sentir este “desagradável sentimento”. Pois a cultura os dizem tanto que estão errados, que podem chocar-se.