sexta-feira, 18 de abril de 2014

Insegurança que Agrilhoa

                Caro leitor. Venho mais uma vez dialogar, mas como em outros assuntos. Posso eu mudar esta opinião conforme o meu talante, conforme minha arbitrariedade.
                Reparou na violência? Parece estar sempre aumentando?
                A cada dia as pessoas parecem mais inseguras e estão ainda cansando disso, que como uma fonte eterna de preocupação, devido ao medo do outro, do desconhecido, aparentando este ser funesto ou não, pois se desconfia de cada um, mesmo de crianças. Insegurança que tende a reger suas vidas, seus gastos, seus medos, seus espíritos.
                Tenho pena destes. Tenho pena do homem que teme o futuro. Tenho pena do homem que teme outro homem. Sempre olha para traz e verifica se não está sendo acompanhado por um “funesto aparente”.
                Tenho pena daquele que não sai de seu abrigo, sua caverna, seu lar por causa de sua insegurança, seu medo do futuro, pois sua vida se resumirá a esperar a hora de sair da toca... Assim como os ratos.
                Moro em um bairro vazio. Pouco vejo os meus vizinhos. Trancados dentro de casa com suas ocupações (está bem, isso é digno) e inseguranças e auxiliadas por um aparelho “zumbificante”: a TV.
                A televisão, claro que é fonte de informação, mas a informação desta não é livre como se pensa. As emissoras mostram o que querem ver. A TV quer audiência, e usará todos os meios para isto.
              Alguns querem sangue. Alguns esperam sangue. E a TV os obedece trazendo sangue no café, no almoço e no jantar, pois ela só pede uma coisa: atenção. E não há nada melhor para TV que um inseguro que pede seu alimento: sangue.
                Este é o circulo da insegurança dos que alimentam a violência durante as refeições. “Como ando na rua? Assisti assassinato hoje.” Me trancarei e assistirei mortes de novo, me trancarei novamente no meu sofá.
                Não reaja. Você está desarmado. Pedimos para que fossem tiradas as armas, então não reaja. Mas a TV não se lembra do passado. A TV vive de novidade. Algo tem que te segurar no sofá. Algo tem que despertar a tua curiosidade, mesmo que seja o novo banal.
                E desliga a TV e o vicio continua: facebook, jornais, fofocas. Tudo parece se infectar por esta alimentação do inseguro, que depois vira revoltado.
                Sim, Há um segundo patamar: a revolta.
Eles revoltados com a insegurança alimentada a um ponto de cansaço, se revoltam contra a marginalidade, depois contra o poder (estado, políticos e etc), contra a milícia, e, no fim, contra a população.
Um sem armas culpa outros sem armas. Um incapaz culpa outro incapaz.
Sensação insegurança esta que, já bem alimentada, se espalha, cresce de tal forma que o incapaz nem percebe que luta contra uma realidade alimentada há muito tempo. Na verdade ele não luta. Ele reclama. Alimentou a sensação e a sensação o engoliu, o sufocou.
Mas a violência cresce, a população cresce, a cultura banaliza, cria mais “banalizadores” (acho que esta palavra não existe), perdem-se mais e mais valores morais e depois a violência cresce de novo e assim vai.

O que eu quero dizer leitor, não é que haja apenas violência ilusória, que é invenção, mas que esta sensação desmedida de insegurança trás um ciclo sem fim de malefícios para você, para a sua família e se estende para população. População esta que parece querer e procurar alimentar este sutil monstro que forma agrilhoados.