Nos dias atuais, vejo pessoas em varias áreas publicas, assim como em veículos públicos, usando de seu "estudo" bíblico, seja para vender, seja para informar sobre sua religião, seja para pedir, ou por mera demonstração de conhecimento. Tais pessoas costumam ter uma atitude aparentemente gratuita acerca de sua pregação, porem existe sempre um valor cobrado.
Falo valor, pois seu sentido é abrangente. Muitos usam da religiosidade alheia para se induzir uma boa impressão.
Quantos decoram versículos para demonstrar conhecimento que se sabe que se dá valor em determinada cultura em que a bíblia se edifica como livro criador e influenciante de moral?
Quantos falam acerca das coisas "profetizadas" ou simplesmente profetizam livremente e sem nenhum ônus para com o respeito ou pudor com quem vira sua atenção em outro foco.
Quantos vendem doces e mandam uma mensagem decorada ou fazem longos discursos para serem vistos como crentes ou salmistas cantadores de praças publicas históricos.
O cansaço impera no povo e muitos demonstram desprezo em seu olhar. Mas o cidadão é mudo, já o conheci assim. Até por que se tem medo de Deus, ou respeito, quem sabe...
Daí comprei uma bíblia para mim. Era uma bíblia de estudos, católica. Escolhi assim por ser mais completa em minha opinião e preferir a doutrina católica por ser mais rica. Nada que me prenda a coisa alguma. Não há relação que me prive a liberdade, seja com padres, família ou amigos.
O estudo da bíblia é sim importante. A razão principal é ver como foi o contexto de sua construção.
Dentre belos diálogos e guerras trágicas, privilégios de um povo fraco em sua relação com uma divindade que lutava para ser unica, há uma mensagem que só é compreendida com muito estudo.
Vale a pena estudar mas, ler sem estudar gera loucura e uma teologia fraca e que precisa do maravilhoso para se livrar do extermínio provindo alguma mente em que ressoe o estudo e o bom senso.
O povo de Israel precisava ver-se abençoado para recuperar suas forças e ver nascer novas esperanças em seu Deus. Hoje aquele povo se foi, mas resta você que busca conhecimento. Sim! Coma do fruto proibido do conhecimento! Pois você não precisa mais de um catecismo que acha que o conhecimento corrompe o homem. Aquilo já se foi, pois era apenas ponto de vista de uma época em que tudo precisava ser explicado por "Deus das lacunas". Mas isto não exclui a divindade de uma possível realidade hoje e de uma eternidade firme.
Muitos pregam e não leem, outros leem e não estudam, outros estudam e não transformam suas vidas.
terça-feira, 17 de outubro de 2017
quarta-feira, 5 de julho de 2017
quarta-feira, 26 de abril de 2017
Batalha vespertina
Navalha esta é a vida
que por mais que recebida por autores romanticos
por mais admirada por musicistas de acordes maiores
pode ser uma arvore seca em esperança
A vida é uma batalha
nem tudo pode dar certo.
A esperança pode morrer
e o mal se alegrar
O choro pode fluir
até a boca descer
onde se toma agua salgada
da morna lágrima.
Fluindo na emoção
chegando no pensar
pensando na morte
ou num simples mal olhar
Não sei se a vida muda
nem por que tanto se trabalha
Não sei pra que gemer
sob o corte da navalha
O pessimismo é ridiculo
O otimismo tambem
no que adianta sonhar para sorrir
Ou sorrir para amar
Sorrimos na alegria
sonhamos por que sonhamos
vivemos por que vivemos
Amamos por que amamos
que por mais que recebida por autores romanticos
por mais admirada por musicistas de acordes maiores
pode ser uma arvore seca em esperança
A vida é uma batalha
nem tudo pode dar certo.
A esperança pode morrer
e o mal se alegrar
O choro pode fluir
até a boca descer
onde se toma agua salgada
da morna lágrima.
Fluindo na emoção
chegando no pensar
pensando na morte
ou num simples mal olhar
Não sei se a vida muda
nem por que tanto se trabalha
Não sei pra que gemer
sob o corte da navalha
O pessimismo é ridiculo
O otimismo tambem
no que adianta sonhar para sorrir
Ou sorrir para amar
Sorrimos na alegria
sonhamos por que sonhamos
vivemos por que vivemos
Amamos por que amamos
quarta-feira, 27 de abril de 2016
Ao guardado beija flor
Te chamei de beija flor como Cazuza
Ergui dentro de mim remorsos tristes
Desde a tamanha frieza que me acusa
Às quimeras de amor que nunca vistes
Tratei como plebéia uma princesa
Amei como quem ama em secreto
Senti tanto amor como tristeza
Por fazer isso de mim um incorreto
Tua voz me agraciou como açúcar
Tua atenção me animou a esperança
Seu sorriso hoje me trás lembrança
De um momento de amor que nunca houve
É debito no amor ter um terceiro
E meu erro foi não ter louvor
Mas quem sabe Deus o tempo inteiro
Não sinta por nós o mesmo amor.
Ewerton Barbosa, 27/04/2016, 21:00
quinta-feira, 25 de dezembro de 2014
Critica: Deus não está morto
Assisti o filme "Deus não está morto". Não gostei. chegou uma hora que o debate filosófico virou pessoal e muitos dos argumentos apresentados pelo personagem principal pareceram fugas como o exemplo de gêneses e o "grande salto da ciência" onde ele mostra o tempo da terra e o tempo em que existimos como um grande salto. o filme também apela pelo lado emocional, mostrando esteriótipos de ateus (como odiadores de Deus e orgulhosos, como se acreditar em qualquer coisa ou não fosse questão de orgulho) e de islamitas (como opressores machistas).
Uma coisa estranha no filme: no momento em que o professor é atropelado e o ministro corre para socorrê-lo, ele pergunta se o cara crê em jesus. O professor diz ser ateu. Sabe o que o ministro responde? Que desejaria que ele tivesse morrido ali, mas que foi pela vontade do Senhor que ele estivesse ali para socorrê-lo. O filme mostra um ódio implícito nos cristãos também.
O filme deturpa o ateísmo, a ciência e o próprio cristianismo e teísmo, pois nem todo cristão acredita em livre-arbítrio, logo, o personagem não poderia usar o nome dos cristãos de forma generalizada, mas de seu seguimento e, além disso, teísmo não é cristianismo. Não confundir. E a ciência não a favor da religião como o autor diz. E nem contra, a meu ver, pois a ciência não parece se meter no que não é falseável. A ciência é um conjunto de conhecimentos adquiridos dedutivamente a posteriori.
Na genesis diz:
No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
Gênesis 1:1-5
Uma coisa estranha no filme: no momento em que o professor é atropelado e o ministro corre para socorrê-lo, ele pergunta se o cara crê em jesus. O professor diz ser ateu. Sabe o que o ministro responde? Que desejaria que ele tivesse morrido ali, mas que foi pela vontade do Senhor que ele estivesse ali para socorrê-lo. O filme mostra um ódio implícito nos cristãos também.
O filme deturpa o ateísmo, a ciência e o próprio cristianismo e teísmo, pois nem todo cristão acredita em livre-arbítrio, logo, o personagem não poderia usar o nome dos cristãos de forma generalizada, mas de seu seguimento e, além disso, teísmo não é cristianismo. Não confundir. E a ciência não a favor da religião como o autor diz. E nem contra, a meu ver, pois a ciência não parece se meter no que não é falseável. A ciência é um conjunto de conhecimentos adquiridos dedutivamente a posteriori.
Na genesis diz:
No princípio criou Deus o céu e a terra.
E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas.
E disse Deus: Haja luz; e houve luz.
E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas.
E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro.
Gênesis 1:1-5
Se a luz era o big-bang como o autor sugere e, esta luz segundo a Gênesis é o dia, então o dia é o big-bang? Apenas uma conclusão fora de contexto.
Acredito eu que se pode ter uma discussão honesta entre ciência e religião, mas sem mitologias, de forma franca e sem argumentos manuseados. O filme não me pareceu interessante por seu apelo emocional para prender quem assiste. Vemos o câncer, a morte, a ira, doenças cerebrais, o orgulho como elementos que podem ser usados de forma implícita para fragilizar o lado critico das pessoas em prol do lado emocional.
Esta foi a minha opinião sobre o filme. E, antes que alguém fale, eu não sou ateu.
Acredito eu que se pode ter uma discussão honesta entre ciência e religião, mas sem mitologias, de forma franca e sem argumentos manuseados. O filme não me pareceu interessante por seu apelo emocional para prender quem assiste. Vemos o câncer, a morte, a ira, doenças cerebrais, o orgulho como elementos que podem ser usados de forma implícita para fragilizar o lado critico das pessoas em prol do lado emocional.
Esta foi a minha opinião sobre o filme. E, antes que alguém fale, eu não sou ateu.
terça-feira, 16 de dezembro de 2014
Crítica aos Religiosos que Devoram
Como alguém que se interessa por assuntos de
libertação e acha que algumas religiões merecem ser estudadas, trago eu uma
análise critica e pessoal a seus adeptos. Tenho uma preferência por assuntos
religiosos e sei de alguns pontos em que a religião faz o ente humano
progredir, porém, em alguns aspectos venho observando que alguns seguidores
simplesmente não aceitam nem leves criticas. Então proponho aqui algumas
criticas a serem examinadas.
O primeiro ponto é a falta de senso crítico e
sua demonização. Simplesmente entra-se em crenças de cabeça adentro sem fazer
reflexões acerca destas. O indivíduo que em um novo pensamento adentra, assim
penso, tem o direito e dever para com a sua consciência de procurar os
fundamentos de sua crença atual. Observe que eu disse procurar os fundamentos e
não fundamentar. O que quero dizer é que procura-se estudar as informações
preestabelecidas antes de tudo e não fundamentá-las subjetivamente, pois assim
você pode deixar para conhecer tardiamente do que realmente se trata aquele
novo ensino. Se tiver duvida, consulte livros sacros desta religião. Se não
responder pergunte a um sacerdote ou alguém com autoridade no assunto, mas não
responda antes de conhecer, pois assim que acontece de muitos praticarem o que
os cristãos chamam de “heresias”. Se a religião te convém e te responde
metafisicamente, te consola e te faz sentir bem, então continue conforme sua
vontade, porém deve-se compreender que fé pode até mover montanhas, mas antes
disso, um dever para consigo mesmo é ampliar horizontes, o que a razão e a
compreensão somente farão.
Observação: quando se fala em razão, não
necessariamente se fala em ciência ou algum método experimental. Nem sempre o
indivíduo será racional por aceitar o que diz a ciência. Exemplo: Aqueles que
aceitam a evolução sem conhecê-la ou saber do que se trata. Na ciência, alguns serão tão crentes quanto um
religioso e também existem fraudes como na religião.
Acerca de certa demonização do senso critico: é
uma falácia comum das religiões que pregam a prevalência da fé em detrimento da
razão. Alguns religiosos usarão, se possível, alguns argumentos contra o
raciocínio lógico, dizendo que este está atrasando o mundo ou que é
instrumentação de alguma entidade maligna. Esta luta contra a razão parece
infindável e apesar de absurda, pode deixar qualquer individuo desmotivado a
argumentar, como já me aconteceu. Como argumentar com alguém que nega a razão?
Como argumentar com alguém que coloca fé e razão como opostas e não como
complementares? Uma pessoa que se mantém neste pensamento trará algo novo ao
mundo? Não será a moral algo racional e irracional ao mesmo tempo? Fica esta
pergunta.
Mas há um defeito de alguns que aceitam a fé
cristã com ódio no coração: o desejo de vingança divina. Nietzsche já dizia em
" A Genealogia da Moral" que há um rancor escondido em alguns
cristãos. Eu digo que há rancor em alguns religiosos e desejo de vingança. Este
desejo as vezes se apresenta com dois nomes: previdência divina (como punição
neste caso) e Juízo final, que foi o exemplo dado por Nietzsche na obra citada.
Você que é cristão, saiba que desejo de vingança não é atitude cristã, pois vai
contra o conceito de perdão. Apenas alarmo: não jogue pragas disfarçadas de
pregação. Isso se encaixa em outras religiões, mas no caso dos cristãos me
parece comum. Estas pessoas neste instante deixam sua moral de lado para assim
“agourar em nome de Deus”. Não é contraditório pregar amor e vingança ao mesmo
tempo?
Todas estas criticas não são exatamente para
com as religiões, mas para os adeptos. As religiões podem guardar raciocínios
ocultos em suas historias e livros sacros.
Adeptos com estas características penetram as
vezes até em religiões recentes como o espiritismo que veio perdendo o seu
caráter racional.
A religião é forte
instrumento de alienação e um indivíduo alienado não pensa por si sem a
religião guia, criando muitas vezes um certo rancor por outras denominações
religiosas.Vídeo do pastor Malafaia expressando seu ódio: https://www.youtube.com/watch?v=YocrkQt-PG8
![]() |
| Tudo tem um lado bom e mal, pois mesmo bem e mal são ilusões se separados. |
quarta-feira, 11 de junho de 2014
O Mocho II: O Pardal e o Mocho
Próximo daquela floresta há um cemitério.
Há um cemitério com tumbas de idéias que se foram e animais que já partiram.
E eu, o
mocho, quis olhar de cima aquele lugar. Sai naquela manhã enquanto o grande espírito
vivo e amarelo aparecia aos poucos do horizonte e clareava o lugar. Digo espírito,
pois sei que aonde chega o espírito movente a tudo ilumina.
De cima vi
e do alto vi uma cruz. E por cima da cruz ele estava, estava em cima da cruz
que era de concreto. E era ele, o pardal. E nesta cruz de concreto havia um
homem de bronze. Não o conhecia, mas estava nas cruzes do cemitério.
Disse:
- Que
fazes, oh pequeno pardal? Por que estais a cantar em cima de uma cruz de concreto
com uma peça de bronze em sua fronte?
- Ofende-me
grande pássaro noturno! Como criatura da noite que és não pode entender a vida.
Este homem morreu por mim! Assim contam as histórias dos antigos e é vivo como
dizem!
- Não
compreendo o porquê de te ofenderes. -disse o mocho- Como pode dizer que é
homem este bronze e ofender-se se eu disser o contrario? “Homem” não é apenas a
forma que deram a este bronze? Uma imagem?
- Tenho fé,
mocho! E não cabe entre nós argumentar! – falou o pequeno acalmando-se – Entre teus
pensamentos e minha fé há um abismo. Um abismo tal que seria trabalhoso juntar
e contigo fazer alguma ponte.
- Hmmmm...
E tu sabias que a razão pode devorar uma fé tão pequena, a fim de poder haver crendices
mais elaboradas até?
- Não,
mocho! – disse o pequeno escondendo-se por detrás da cruz – A cruz me
protegerá. Por detrás dela não me alcanças e não poderia devorar a mim e nem
mesmo a minha fé!
- Não te
percebes que quando te escondes não me vês? Assim posso ir por cima desta cruz
pulando-a para pegares! Mas não o farei ainda... Pois não me respondeste.
O pardal
olhou o mocho, e suspirou. Depois de um curto silencio disse:
- Aqui há uma
cruz de concreto e esta cruz de concreto é estática. Na cruz vês um homem de
bronze, mas não é um homem... É o espírito vivo. Não... É a própria vida! Muitos
pardais o veneram e muitos esperam a sua
volta.
- Tolo! – Disse
eu, o mocho – Como pode esperar a volta de alguém que se foi? O grande espírito
nasce e morre o mesmo todo o dia lá no alto e nem eu alcanço, mas isso com um
homem? Sei que nascemos e morremos e a natureza nos melhora e conduz. Por isso
um homem não pode voltar igual a ele mesmo!
- Sim,
mocho, a natureza nos melhora e sua força nos conduz, mas nós devemos nos
desvincular dos instintos que ela nos colocou. Apesar de Ele nos ter criado e a
natureza, sentimos nós que devemos sair desta e apenas a Cristo nos apegar.
- Quê diz?
Dizes tu que este nos criou e a natureza? – Disse o mocho inconformado – Tu não
vês que contradição diz e como dizes contradição? Ninguém pode criar a natureza
e os instintos e querer destruí-los! Deixes este Cristo de bronze e procuras o
vivo para louvar! Crê na alma e olha a natureza e despertas!
Nesta hora
o pardal canta e uma musica de louvor canta o pardal. Mas, para o mocho é só ruído,
pois pardais não cantam belamente como as andorinhas. O louvor era alto como um
chamado a alguém distante.
O mocho
olha para o pardal e diz:
- Pare de cantar, senão te
devorarei! Não conheces razão!
-Então
continuarei a cantar, não me interessa a razão! – e continua o corajoso pardal.
Quando o
mocho levantou suas garras em direção ao pardal, com sua visão ao longe viu...
Eram muitos... Muitos pardais.
O mocho
sabe que um pardal não pode machucá-lo, mas tantos de outras florestas...
Chegaram e
rodearam o mocho em seu vôo, parecendo um furacão de pardais. Todos cantando em
coro aquele hino de louvor.
- Não aguento!
– Disse o mocho – não suporto ruídos tão altos! Estes sons... Ferem-me!
Ferem-me os sons de uma multidão sem argumentação.
E assim o
mocho vai. Deixa-os louvando seu Cristo de bronze e vai para fora longe daquela
tumba. E volta a sua toca.
Diz o
mocho:
- E os
pardais, como gesto de união até hoje se defendem sem defesa, mas um dia será
aquele em que o pardal sucumbirá ou voará daquela cruz.
Ele, o
pardal, a fé, a esperança e o apelo ao invisível, o “crente”
quarta-feira, 4 de junho de 2014
O Mocho I
Há uma
lebre. Uma lebre saltitante e alegre e branca como a água em neve. Eu, o mocho
a observo. Eu a sinto, mas não me faço pressentir. Amo-a, pois há algo que me
completaria: a felicidade, a invejo.
Seus olhos
têm brilho. Refletem a sua alma em luz. Sim... A lebre... (suspiro)
O vi vindo
do monte mais alto. Do monte mais alto vindo o vi. Aquele a quem lamento a existência...
O gavião.
Veio por sobre
as nuvens e na altura do arco-íres ele voou.
Seu esplendor
e sua beleza a seduz. Seduz a lebre com seu ar de ordem e moral, e desta toca não
o deixo de notar. Ele, o gavião.
Cheio de
heroísmo e convencimento, de razão e de conselhos. Ele parece correto. Parece
correto o gavião.
Ele pousa
ao seu lado e a lebre lhe sorri. Ele olha penetrante mas as formas ele vê, pois
nunca disse ver a alma em seus olhos. Tem boa visão para tudo o que há de fora
e tudo o que há de fora ele vê, mas não vê o que há no escuro, o imanente, o
escondido. Só alguém na floresta parece ver o interior e os segredos e procurá-los
até na dor, aquele que vê no escuro e do escuro: eu, o mocho.
O gavião a
ilude, pois se ilude também o gavião. Pede para que ela olhe para cima e veja
as nuvens. Imagina cenas das nuvens o gavião e pede para a lebre o acompanhar
em seus sonhos. Olha para as nuvens e vê a beleza de tudo o que é celeste. Mal
sabe que o seu celeste é ilusão e que logo se desfazem suas cenas.
-Te
defenderei até o fim- diz ela, mas quê é uma lebre para defender um rapinante?
Ela poderia ser uma presa e nem se toca disso. Ambos somos caçadores: eu, o
mocho e ele, o gavião.
Em algo insiste,
insiste em algo o gavião, pois aquele olhar sonhador e para cima esconde algo. Algo
terrível para mim. Ele insiste em levá-la para as nuvens. Assim insiste o
gavião.
É admissível
alguém que não voa não conhecer as nuvens do céu. É fumaça, vapor, ilusões para
quem vê imagens. Mas eu sei o que ele quer! Quer prendê-la em sua toca ou ao
menos levá-la para longe da floresta!
A noite está
chegando e sem seu sol ele pouco vê, pois só aparece no claro e para todos. Despede-se
e vai... O gavião.
Ah... A
noite...
É tão bela
e a lebre se esconde e não a vê. Se pudesse de dia não faria como o gavião que
quer subir com ela para ver nuvens e as ilusões do outro lado, mas subiria para
de cima ver a terra e tudo o que há. Tudo o que é belo de dia o é também à
noite, mas o que muda são os olhos de quem vê.
Mas eu não
sou igual ao gavião!
Eu, o mocho,
tenho raiva, tenho amor, sinceridade e não escondo o que há em mim, quando
posso mostrar. Mas não querem ver o mocho, pois o mocho desilude, olha a noite
como o dia. Por hoje estava na toca, mas a noite eu devo me mostrar e uma vez
de dia também de sair para alcançar a desilusão.
Ele, o
gavião, são os valores, o ego, a honra, a cultura... a regra.
Ela, a
lebre, a felicidade, a inocência, a mulher e a criança, a ultima peça, a ultima
vontade.
E eu, o
mocho.
domingo, 18 de maio de 2014
Amor e Vacuidade
Hoje vejo eu que este desejo é
normal em pessoas desta idade atualmente. Hoje tenho 22 anos. E penso em como
seria se eu tivesse pensado assim nesta idade. Nesta idade estava eu ainda
discutindo religião com as meninas da oitava serie. Nem pensava em ficar, mesmo
com um sentimento forte e antigo por alguém que eu conheci na quinta série.
É, leitor, eu guardava um sentimento
naquela época. Eu guardo até hoje um pensamento que me faz sofrer e que me dá
esperança: eu acredito no amor.
Eu acredito veemente que existe alguém
para alguém. É uma força ilógica que só me trouxe sofrimento e espera. É uma fé
imprestável que guardei e alimentei.
Não sei por que alguém procura
relacionamentos curtos e sem compromissos, nem tampouco sei por que eu sempre quis
tanto um alguém de longo prazo.
Fui muito mal criticado por isso.
Mas, leitor, por acaso a vida não tem algo além de um prazer momentâneo? Por
que estas crianças que preferem serem chamadas de pré-adolescentes têm tamanha
pressa no prazer? Por que a natureza tem as estimulado tanto se seus corpos e
suas mentes não são maduros? Mais uma duvida: este amor de casal, sim, este
amor que aflora por uma pessoa única e que para alguns permanece imanente por
toda a existência ainda aflora nas pessoas ou sou eu que inventei isto para
mim?
Sei que este amor foi aquele mesmo amor
que o poeta adotou como seu tema principal e que como o compositor e o musico
faz sentir um desejo de buscar e ir até a felicidade para encontrar este
sentimento.
Eu não sou um ser de solitude, não
procuro paz na solidão, não ainda. Mas, este amor é algo que me incomoda muito.
Esta sensação de ser incompleto, este vazio, eu não acredito que eu seja o único
a sentir, mas sinto e tenho na verdade ódio por esta sensação incomoda. Tudo
seria melhor sem ela, esta ilusão que cria o coração: a ilusão de que o ser que
o sente é uma metade. Se a natureza é uma obra perfeita e eu sou uma parcela da
natureza, então por que eu não sou perfeito? Por que esta sensação de vazio e
de falta? Por que esta escassez, esta sensação de insatisfação na solidão?
Eu só sei de algo. O amor, por mais intenso,
vivido, desejado, repelido que seja ainda é ininteligível.
Dizia Blase Pascal:
“O coração tem razão que a própria razão
desconhece”
segunda-feira, 5 de maio de 2014
O Certo, o Errado e a Culpa
Reparo
nas pessoas que aparentemente não conseguem examinarem-se e me parece que não
comportam em suas cabeças algum conselho ou algum comentário sobre seu
proceder.
Todo homem “comum” tem dentro de si
um sentimento que é sentido quando comete algo que sua consciência reprova.
Note que um animal não mata por
prazer, eu acredito, mas, se o leão não estiver com fome, não irá à cassa. Não
vivo com leões, mas suponho que assim seja.
Acredito (sim, tenho fé nisso,
mas não sei dizer se é verdade, leitor) que alguns animais sintam culpa.
Mas como o leão cassa sentindo
culpa? Não pararia? Acredito que tenha uma desculpa para não sentir: a fome.
Sem fome ele não cassa. Mas também não suponho que o leão tenha noção do
errado, mas será que não havendo em seu imo a noção de errado... Também não
teria a noção de certo?
Existe uma coisa estranha no
senso comum!
A coisa parece provar a sua
inversa!
Mas a tese prova a antítese?
Lembro dos que se ofendem quando
digo que não existe diabo. Dizem:
- Então você não acredita em Deus,
Ewerton!
Como se no dia que alguém provasse
a existência de um Criador Universal, fosse provada também a do Destruidor
Universal.
A mais simples lógica parece fugir
de alguns.
Então o leão ou o ignorante pode
ter noção de certo sem ter noção do errado? Uso o leão apenas como exemplo.
O certo pode ser apenas o errado
embelezado. O falso também pode ser o verdadeiro numa forma que uns
considerarão sem beleza. Verdadeiro e falso são inversas, mas certo e errado
podem ser ilusões e também falsa moral. Alguns certos têm certas ilusões.
Mas e o
leão? Por incrível que pareça é mais fácil falar de homens. O desconhecido
confunde (não digo desconhecido da ciência, mas de mim mesmo e por isso usei o
verbo acreditar, pois acredito em uma racionalidade animal, mesmo que em nível inferior
ao seu, leitor).
Mas, o
certo e errado são valores! Valores desprezados com o tempo, e adulterados com
o passar dos anos. Alguns são mantidos e outros modificados pelo falso, o
verdadeiro, o lógico, o emocional e pela fé.
Estas
mudanças de certo e errado são também individuais, pois como havia dito em
outros textos: há em cada um uma moral individual. O individuo que presencia
isto pode se confundir facilmente em opiniões alheias. O individuo, acredito
novamente eu, deveria ter uma opinião própria, mas copiamos tanto que eu nem
sei se realmente dá para se livrar da “cultura”.
Sim!
Copiamos o certo e o errado, somos plagiadores em nossos valores, e isso é
normal, mas às vezes inconsciente enquanto alguém não te disser que nem tudo
que é certo é em toda a ocasião que poderia ser.
E
aqueles que não levam conselhos, ou dizem que “ se conselho fosse bom se vendia”,
nada mais são que pessoas inflexíveis diante da culpa, ou que sentem meso de
sentir este “desagradável sentimento”. Pois a cultura os dizem tanto que estão errados, que podem chocar-se.
domingo, 27 de abril de 2014
Poesia Parcial ao Ente Humano
Conhecer o escuro
Elogiar a loucura
Desprezar a verdade
Viver a tortura
Criticar o “mal”
Desprezar o “bem”
Julgar todo ente
Perdoar a ninguém
Esmerar suas posses
Como sendo eternas
Entregar-se a avareza
Agarrar em suas pernas
Cancelar os deveres
Não sentir pudor
E acima de tudo
Apelar ao amor
Assim vive o homem
Assim faz sua vida
Aquele que não muda
Tem duvida da saída
Feliz é aquele
Que da mocidade
Desprende de tudo
E busca a verdade
sexta-feira, 18 de abril de 2014
Insegurança que Agrilhoa
Caro
leitor. Venho mais uma vez dialogar, mas como em outros assuntos. Posso eu
mudar esta opinião conforme o meu talante, conforme minha arbitrariedade.
Reparou
na violência? Parece estar sempre aumentando?
A cada
dia as pessoas parecem mais inseguras e estão ainda cansando disso, que como
uma fonte eterna de preocupação, devido ao medo do outro, do desconhecido,
aparentando este ser funesto ou não, pois se desconfia de cada um, mesmo de
crianças. Insegurança que tende a reger suas vidas, seus gastos, seus medos,
seus espíritos.
Tenho
pena destes. Tenho pena do homem que teme o futuro. Tenho pena do homem que
teme outro homem. Sempre olha para traz e verifica se não está sendo
acompanhado por um “funesto aparente”.
Tenho
pena daquele que não sai de seu abrigo, sua caverna, seu lar por causa de sua
insegurança, seu medo do futuro, pois sua vida se resumirá a esperar a hora de
sair da toca... Assim como os ratos.
Moro em
um bairro vazio. Pouco vejo os meus vizinhos. Trancados dentro de casa com suas
ocupações (está bem, isso é digno) e inseguranças e auxiliadas por um aparelho
“zumbificante”: a TV.
A
televisão, claro que é fonte de informação, mas a informação desta não é livre
como se pensa. As emissoras mostram o que querem ver. A TV quer audiência, e
usará todos os meios para isto.
Alguns
querem sangue. Alguns esperam sangue. E a TV os obedece trazendo sangue no
café, no almoço e no jantar, pois ela só pede uma coisa: atenção. E não há nada
melhor para TV que um inseguro que pede seu alimento: sangue.
Este é
o circulo da insegurança dos que alimentam a violência durante as refeições. “Como
ando na rua? Assisti assassinato hoje.” Me trancarei e assistirei mortes de
novo, me trancarei novamente no meu sofá.
Não reaja.
Você está desarmado. Pedimos para que fossem tiradas as armas, então não reaja.
Mas a TV não se lembra do passado. A TV vive de novidade. Algo tem que te
segurar no sofá. Algo tem que despertar a tua curiosidade, mesmo que seja o
novo banal.
E
desliga a TV e o vicio continua: facebook, jornais, fofocas. Tudo parece se
infectar por esta alimentação do inseguro, que depois vira revoltado.
Sim, Há
um segundo patamar: a revolta.
Eles revoltados com a insegurança
alimentada a um ponto de cansaço, se revoltam contra a marginalidade, depois
contra o poder (estado, políticos e etc), contra a milícia, e, no fim, contra a
população.
Um sem armas culpa outros sem
armas. Um incapaz culpa outro incapaz.
Sensação insegurança esta que, já
bem alimentada, se espalha, cresce de tal forma que o incapaz nem percebe que
luta contra uma realidade alimentada há muito tempo. Na verdade ele não luta. Ele
reclama. Alimentou a sensação e a sensação o engoliu, o sufocou.
Mas a violência cresce, a
população cresce, a cultura banaliza, cria mais “banalizadores” (acho que esta
palavra não existe), perdem-se mais e mais valores morais e depois a violência cresce
de novo e assim vai.
O que eu quero dizer leitor, não
é que haja apenas violência ilusória, que é invenção, mas que esta sensação desmedida
de insegurança trás um ciclo sem fim de malefícios para você, para a sua família
e se estende para população. População esta que parece querer e procurar
alimentar este sutil monstro que forma agrilhoados.
quarta-feira, 9 de abril de 2014
Mãos do Amor Furtivo
Com o toque do presente
Eu relembro o passado.
Com a vida inteira ausente
O amor volta ao meu lado.
Sentimento bem furtivo,
Afanou meu coração.
Eu peguei em seus cabelos
E você em minha mão.
Sua mão tão delicada,
Como uma nova flor,
Palmeou todo meu imo
E roubou o meu amor.
sexta-feira, 28 de março de 2014
Razão e Fé
Hoje eu
refletia sobre algo interessante.
Religiosos que
pensam serem donos da fé e cientistas que pensam serem donos da razão.
Qual o meu
talante?
Quando se
fala de religião como sinônimo de fé, dá-se a entender que só se pode ter fé no
sobrenatural, no superior ao homem e no insensível a este. E, se a ciência é a
possessora de toda a razão, os outros métodos de conhecimento estão no âmbito da
fé e no ceticismo.
O
conhecimento pode ter três formas relativas à razão em meu ponto de vista.
O
misticismo é o irracional ou o que a razão humana não alcança. As religiões e
as tradições podem trazer conceitos irracionais, como ressureição depois de mil
anos de sono. Pode ser que havendo um criador que tudo pode, possa revivescer
mesmo depois de mil anos um corpo que suas vitaminas já estariam longe, mas não
é racional ou minha razão não alcança.
A
metafisica é a racionalidade sem provas físicas, não superando a razão, supera
o físico como o nome já diz. Muito comum antes do renascimento. São as
racionalidades sem experimentação, dedutivas, comuns nas filosofias antigas e nas
religiões como o catolicismo e o espiritismo, este que a principio quase que
totalmente metafisico. No catolicismo houve muitos filósofos famosos como Santo
Agostinho que no século IV introduziu o idealismo platônico e São Tomas de
Aquino que no século XIII introduziu na igreja o naturalismo aristotélico.
A ciência é
razão com experimentação. A razão provada através de indução e dedução.
Induz-se um fenômeno e posteriormente deduz-se sua explicação. Tal é o método científico.
A religião
não é dona da fé. Pode o homem ter fé em um deus, em acontecimentos, em outro
homem ou até em si mesmo. Ter fé é crer, mas crer somente não é o bastante e
por isso houve a metafisica nas religiões.
A ciência pode
ter destruído a razão e a religião a fé.
Que é razão
pra você? E fé? Você é racional e tem fé em si?
Tão miserável
é o homem que tem que decidir entre ambas e quão vazia é uma vida sem razão ou
sem fé.
Como surgiu
o mundo? Escolheria razão ou fé para responder?
Para
acreditar em big bang você precisará “acreditar”, pois o que é provada é a
expansão do universo e não o momento zero da explosão. Para um cientista deve
ser preciso ter fé no big bang.
E sim, você
pode chegar a dizer que foi um deus racionalmente, basta usar a razão, ora.
Mas a fé
perdeu seu sentido. Mataram-na e a envenenaram. Aumentaram seu tamanho de tal
forma que perdeu seu sentido. Pensam eles, os iludidos que só se encontra fé onde
houver comunhão de grande número
de pessoas. Fé é algo que ninguém sente por ti. Sentimento que se sente por ti na multidão, e sentirá só. Duas pessoas não podem sentir o mesmo sentimento,pois é necessário ser um. Confundem a ideia com a palavra, a folha com a mensagem desta.
Sagrar é
dedicar ao divino. Se um livro ou um homem dedicam-se ao divino, ambos serão
sagrados.
Busquei me
sagrar, também busquei me conhecer, busquei conhecer no mundo o que faltava
para me conhecer. E, ainda hoje, nem razão, nem fé responderam-me a simples
pergunta que li no livro “O Mundo de Sofia”.
“Quem é tu?”
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